O clube dos cinco é um filme que trata diretamente da critica social. Mostra como a escola e seu tempo nela é importante para a formação do caráter de cada um. Ele conta a história de cinco jovens que em um sábado ficam a tarde toda na detenção. Cincos jovens diferentes, com ideologias e caráter diferente, que não se conheciam, ou não se falavam. Uma princesa, um cérebro, um atleta, um problema e um criminoso, todos diferentes com histórias diferentes e pertencendo a grupos diferentes.
Os cinco desenvolvem uma amizade, e encontram em seus problemas uma coisa em comum. Pela primeira vez desabafando e sendo eles mesmos sem se importar em manter as aparências, coisa que não faziam. Aos poucos cada um descobre porque o outro está ali, apoiando cada um e vendo que eram bem mais do que poderiam imaginar.
No final Brian é escolhido para fazer a redação, mostrando o que cada um descobriu ali dentro e assinando como o clube dos cinco. No final eles vão embora juntos, a história deixa para você pensar e ficar sem saber se no dia seguinte cada um voltou para o seu canto ou se algum dia iriam se falar novamente.
“Querido Sr Vernon, nós aceitamos o fato de sacrificar nosso Sábado na detenção por seja lá o que tenhamos feito de errado. Mas nós achamos que você é louco por fazer a gente escrever uma redação dizendo quem nós achamos que somos. Com o que você se importa? Você nos vê como quer... do jeito mais simples e conveniente. Você nos vê como um cérebro, um atleta, umproblema, uma princesa e um criminoso. Estou certo? Era como a gente também se via às sete horas desta manhã. Nós estávamos alienados".
Até hoje esse filme é lembrado, mesmo sendo antigo acabou tornando-se um clássico que nunca perdeu a graça e a moral. Somos todos iguais, todos temos problemas de graus diferentes, mas um problema que atinge cada um de uma maneira totalmente individual.
(Postado por Mônica Lopes )
terça-feira, 13 de setembro de 2011
“Espero poder confiar inteiramente em você, como jamais confiei em alguém até hoje...”
O diário de Anna Frank
E assim inicia-se o seu diário em 12 de junho de 1942.
Antes de tudo, quero aqui dizer que a história de Anne Frank foi uma das mais impressionantes que já li, o filme também consegue retratar perfeitamente alguns detalhes de seu livro.
Anne Frank era uma garota de 13 anos, quando ganha um diário de presente em seu aniversario no dia 12 de junho de 1942, onde o chamava de Kitty. Em seu diário Anne relata os vinte e cinco meses que viveu em um anexo secreto com sua família e mais quatro pessoas, o esconderijo que foi construído durante a Primeira Guerra Mundial e utilizado por sua família durante a Segunda Guerra, onde caracteriza o contexto histórico de seu diário.
A Segunda Guerra Mundial foi a época do nazismo, onde Hitler convence a uma nação, que a culpa da situação precária da Alemanha da época era devido aos judeus, daí inicia-se a guerra contra os mesmo, obrigando-os a ir para um campo de concentração onde permaneciam como escravos, muitos morreram devido as condições em que viviam, outros foram mortos e poucos conseguiram fugir com vida ou sobreviver ate o final da guerra.
Durante os dois anos que viveu no esconderijo com sua família e os demais, escreveu sobre como passavam seus dias. Durante o dia eles não podiam fazer barulho, pois logo abaixo trabalhavam os holandeses os quais não poderiam nem desconfiar que estivessem ali caso contrario seriam presos e separados, somente durante a noite podiam viver “normalmente”.
Os meses em que se passaram o pai de Anne, Otto Frank, o qual sentia-se indignado de ter de esconder-se durante a segunda guerra, logo ele que durante a primeira guerra combateu junto aos alemães e holandeses, agora era considerado um inimigo, no entanto eram vítimas da tirania e do nazismo da época. Otto da aula para Anne, Margot Frank (irmã) e Peter Van Daan (filho de Petronella Van Daan e Hans Van Daan que estavam junto a família de Anne no anexo), há também o dentista Albert Dussell que os ajudava com as lições.
O livro O diário de Anne Frank, mostra-nos o terror da Segunda Guerra e a coragem de uma pré-adolescente de apenas 13 anos, que não deixara abalar-se apesar dos tempos nada fáceis em que viviam. Anne demonstra-se determinada a não deixar de sonhar com seu futuro, onde acredita que terá uma bela carreira como atriz, conhecer Hollywood, entre outros.
O filme O diário de Anne Frank, também não deixa a desejar, considerado um dos melhores dramas da época, consagrando o diretor americano George Stevens no ano de 1959, o filme ainda em preto e branco. Oroteiro foi baseado na peça teatral de Frances Goodrich e Albert Hackett e é claro no livro. A trilha sonora de Alfred Newma, da mais emoção a cada cena. Interpretados por: Millie Perkins (Anne Frank), Joseph Schildkraut (Otto Frank) Shelley Winters (Petronella Van Daan), Richard Beymer (Peter Van Daan) Gusti Huber (Edith Frank),Lou Jacobi (Hans Van Daan) Diane Baker (Margot Frank ) Douglas Spencer (Kraler), Dodie Heath (Miep) e Ed Wynn (Albert Dussell).
O filme mostra-nos claramente a vida dos confinado que recebiam ajuda de dois amigos, Kraler e Miep, os quais levam comida e os deixavam informado sobre o que estava acontecendo durante a guerra, deixando-os assim com esperanças de logo mais tudo acabara e eles poderiam voltar as suas respectivas vidas.
Com o desenvolver da trama vemos o sofrimento e a expectativa de todos para com o futuro, porém são dias difíceis que estão por vir e assim dar-se à história, baseada no diário de Anne Frank.
Sem alongar-me por mais, indico tanto ao livro quanto ao filme para serem apreciados. Termino aqui meu post deixando a vocês o trailer da segunda versão do filme, lançado em 2001 adaptada para as telas já em cores pelo diretor Robert Dornhelm, e um trecho de seu diário, para deixá-los com “gostinho de quero mais”.
Sexta-feira, 21 de Julho de 1944
Querida Kitty:
Estou cheia de esperanças, tudo vai bem! Sim, vai mesmo muito bem! Notícias sensacionais. Houve um atentado contra Hitler mas, imagina, os autores não foram comunistas, judeus ou capitalistas ingleses, mas sim um general alemão da nobre raça germânica, e, ainda por cima, um general ainda jovem! A "providência divina" salvou a vida do Führer e ele escapou - infelizmente, infelizmente!-com algumas arranhadelas e queimaduras. Alguns oficiais e generais que andavam com ele morreram ou ficaram feridos. O autor principal foi fuzilado. Este atentado é a melhor prova de que muitos oficiais e generais estão fartos desta guerra e que veriam com prazer o Hitler afundar-se nos mais profundos precipícios. Querem, depois da morte de Hitler, instalar uma ditadura militar, fazer as pazes com os aliados, rearmar-se, para desencadear uma nova guerra daqui a vinte anos. Talvez a Providência tenha hesitado, de propósito, em afastar Hitler desde já, pois aos aliados faz muito mais jeito, e é muito mais vantajoso, que os alemães arianos puros se matem uns aos outros; assim haverá depois menos canseira para os russos e para os ingleses que poderão mais depressa começar a reconstruir as suas cidades. Mas ainda não chegamos a este ponto e eu não quero antecipar-me aos factos gloriosos. Tu decerto estás a notar que tudo o que te estou a dizer é a realidade nua e crua, uma realidade com os dois pés fincados no chão, e que eu, excepcionalmente, não estou a delirar com ideias superiores. Hitler teve a amabilidade de comunicar ao seu povo dedicado que os militares, de hoje em diante, terão de obedecer à Gestapo e que qualquer soldado, se souber que um seu superior esteve implicado neste atentado tão cobarde e tão baixo, poderá meter-lhe, sem cerimônias, uma bala na cabeça. Vai ser bonito. Imagina: ao Hans Dampf doem-lhe os pés de tanto marchar; o seu superior, o chefe, dá-lhe um raspanete. O Hans pega na espingarda e grita: - Tu quiseste matar o nosso Führer, toma a recompensa. Pum! O orgulhoso chefe que se atreveu a censurar o pequeno soldado foi despachado para a vida eterna (ou será para a morte eterna?). O resultado vai ser este: os senhores oficiais vão andar sempre com as cuecas sujas de tanto medo e não se atreverão mais a dizer seja o que for a um simples soldado. Compreendes tudo? Ou gaguejei eu ao escrever? Se assim for não há nada a fazer, pois estou contente de mais para observar a lógica, contente por ter esperanças de que em Outubro estarei, de novo, sentada nos bancos da escola. Olá, não disse eu há pouco que não me devo antecipar? Não te zangues. Não é por acaso que me chamam "um feixe de contradições".
Escolhi para este post um filme do qual gosto bastante, por tratar-se de uma escritora inglesa a quem admiro muito: Jane Austen, além de, é claro, integrar-se ao contexto de nosso objetivo por aqui, que é “linkar” filmes e literatura, filmes e linguagem, enfim... Filmes e Letras!
O filme em questão chama-se “O clube de Leitura de Jane Austen”. Antes de dissertar opiniões sobre ele, cabe aqui uma breve descrição do que de fato ele traz como história.
O Clube de Leituramostra a vida de várias mulheres que têm em comum grande admiração pelos livros de Jane Austen. Por esse motivo, montam um clube de leitura para discutir as seis obras da autora. Ao longo do filme, homens são também integrados ao grupo e movidos a fazer as leituras e discutir os livros. Ao passo que estão trabalhando em um dos livros, as coisas na trama acabam batendo com as histórias de Jane, fazendo com que o Clube fique ainda mais interessante aos integrantes, que acabam sempre ligando suas histórias aos dos personagens que conhecem nas obras de Austen.
O filme, apesar de ser um dos únicos “modernos” cujo qual muito admiro, tem suas lacunas. Para quem adora a ironia refinada da inglesa, como eu, o filme é bom para se assistir, remete-nos aos livros constantemente, mas é só. Para os expectadores que nunca leram nada de Austen, torna-se mais válido, pois o filme os instiga a conhecerem.
O que deixa a desejar é a falta de aprofundamento direto nos assuntos abordados por Austen, fazendo com que as obras tornem-se apenas um “pivô” quase superficial para emoldurar as histórias da trama, que, em minha opinião, perto das escritas por Austen em seus livros, torna-se quase infantil. O motivo para este fato, claramente é o tipo de público visado, (no caso, todo o tipo) o que fica claro, pois traz inúmeras cenas “comuns” e de fácil apelo. Quem não leu toda a obra de Jane, não vai entender as conexões feitas entre os personagens do filme e os dos livros, já que os integrantes do grupo citam personagens como Marianne, Emma, Mr.Knightley, Fanny, mas não explicam quem eles são.
Porém, o roteiro do filme é bom, bem trabalhado, sem nunca ser cansativo. O maior ponto positivo do filme, como já dito, é a curiosidade que causa ao público a respeito dos livros, fazendo com que o filme fique na memória do expectador, causando sempre uma vontade de saber mais sobre aquilo que viram, e não apenas uma breve história de romance, fazendo com que estes, consequentemente, acabem conhecendo as histórias originais de Jane.
Os livros escritos pela autora integram uma linha inédita e são o tipo de leitura que nunca enjoa, não importa quantas vezes seja feita, o que transforma o filme, inevitavelmente, em uma discussão dos temas dos livros, ainda que de forma simplificada. Em minha opinião, inclusive, sem o respaldo das obras, somente com sua estrutura, o filme não teria a mesma força.
JANE AUSTEN
E por fim, não dava para não pontuar o forte sentimento de negligência que senti a respeito do modo como se conectam as vidas dos personagens às histórias: por diversas vezes no filme, os personagens procuram tentar “pensar” como a autora para resolver seus próprios dilemas, e, o sentimento que sempre fica quando assisto a essas cenas específicas, é a de que o diretor do filme, ao tentar “homenagear” a autora criando personagens que aludem a ela, acaba fazendo com que as idéias de Jane se tornem algo banal, o que, a meu ver, faz com que a obra seja apenas um pano de fundo para salientar o conservadorismo do filme.
Em um balanço final: O filme é muito bom, honra a autora, trabalha bem a trama e suas conexões com os livros, dá ao público uma visão positiva dos livros, porém, o faz com pouca propriedade, ou ao menos, não toda a propriedade da qual poderia se utilizar considerando a qualidade das obras. Um filme muito bom, mas que se isenta do motejo ferino de Austen no filme, sem dúvidas.
Fica aqui uma dica para que leiam Jane Austen, assistam ao filme, e digam se estão de acordo!