terça-feira, 13 de setembro de 2011

“Espero poder confiar inteiramente em você, como jamais confiei em alguém até hoje...”
 O diário de Anna Frank

E assim inicia-se o seu diário em 12 de junho de 1942.

Antes de tudo, quero aqui dizer que a história de Anne Frank foi uma das mais impressionantes que já li, o filme também consegue retratar perfeitamente alguns detalhes de seu livro.

Anne Frank era uma garota de 13 anos, quando ganha um diário de presente em seu aniversario no dia 12 de junho de 1942, onde o chamava de Kitty. Em seu diário Anne relata os vinte e cinco meses que viveu em um anexo secreto com sua família e mais quatro pessoas, o esconderijo que foi construído durante a Primeira Guerra Mundial e utilizado por sua família durante a Segunda Guerra, onde caracteriza o contexto histórico de seu diário.

A Segunda Guerra Mundial foi a época do nazismo, onde Hitler convence a uma nação, que a culpa da situação precária da Alemanha da época era devido aos judeus, daí inicia-se a guerra contra os mesmo, obrigando-os a ir para um campo de concentração onde permaneciam como escravos, muitos morreram devido as condições em que viviam, outros foram mortos e poucos conseguiram fugir com vida ou sobreviver ate o final da guerra.

Durante os dois anos que viveu no esconderijo com sua família e os demais, escreveu sobre como passavam seus dias. Durante o dia eles não podiam fazer barulho, pois logo abaixo trabalhavam os holandeses os quais não poderiam nem desconfiar que estivessem ali caso contrario seriam presos e separados, somente durante a noite podiam viver “normalmente”.

Os meses em que se passaram o pai de Anne, Otto Frank, o qual sentia-se indignado de ter de esconder-se durante a segunda guerra, logo ele que durante a primeira guerra combateu junto aos alemães e holandeses, agora era considerado um inimigo, no entanto eram vítimas da tirania e do nazismo da época. Otto da aula para Anne, Margot Frank (irmã) e Peter Van Daan (filho de Petronella Van Daan e Hans Van Daan que estavam junto a família de Anne no anexo), há também o dentista Albert Dussell que os ajudava com as lições.

O livro O diário de Anne Frank, mostra-nos o terror da Segunda Guerra e a coragem de uma pré-adolescente de apenas 13 anos, que não deixara abalar-se apesar dos tempos nada fáceis em que viviam. Anne demonstra-se determinada a não deixar de sonhar com seu futuro, onde acredita que terá uma bela carreira como atriz, conhecer Hollywood, entre outros.

O filme O diário de Anne Frank, também não deixa a desejar, considerado um dos melhores dramas da época, consagrando o diretor americano George Stevens no ano de 1959, o filme ainda em preto e branco. O roteiro foi baseado na peça teatral de Frances Goodrich e Albert Hackett e é claro no livro. A trilha sonora de Alfred Newma, da mais emoção a cada cena. Interpretados por: Millie Perkins (Anne Frank), Joseph Schildkraut (Otto Frank) Shelley Winters (Petronella Van Daan), Richard Beymer (Peter Van Daan) Gusti Huber (Edith Frank),Lou Jacobi (Hans Van Daan) Diane Baker (Margot Frank ) Douglas Spencer (Kraler),  Dodie Heath (Miep) e Ed Wynn (Albert Dussell).
O filme mostra-nos claramente a vida dos confinado que recebiam ajuda de dois amigos, Kraler e Miep, os quais levam comida e os deixavam informado sobre o que estava acontecendo durante a guerra, deixando-os assim com esperanças de logo mais tudo acabara e eles poderiam voltar as suas respectivas vidas.

Com o desenvolver da trama vemos o sofrimento e a expectativa de todos para com o futuro, porém são dias difíceis que estão por vir e assim dar-se à história, baseada no diário de Anne Frank.
Sem alongar-me por mais, indico tanto ao livro quanto ao filme para serem apreciados. Termino aqui meu post deixando a vocês o trailer da segunda versão do filme, lançado em 2001 adaptada para as telas já em cores pelo diretor Robert Dornhelm, e um trecho de seu diário, para deixá-los com “gostinho de quero mais”.



Sexta-feira, 21 de Julho de 1944

Querida Kitty:

Estou cheia de esperanças, tudo vai bem! Sim, vai mesmo muito bem! Notícias sensacionais. Houve um atentado contra Hitler mas, imagina, os autores não foram comunistas, judeus ou capitalistas ingleses, mas sim um general alemão da nobre raça germânica, e, ainda por cima, um general ainda jovem! A "providência divina" salvou a vida do Führer e ele escapou - infelizmente, infelizmente!-com algumas arranhadelas e queimaduras. Alguns oficiais e generais que andavam com ele morreram ou ficaram feridos. O autor principal foi fuzilado. Este atentado é a melhor prova de que muitos oficiais e generais estão fartos desta guerra e que veriam com prazer o Hitler afundar-se nos mais profundos precipícios. Querem, depois da morte de Hitler, instalar uma ditadura militar, fazer as pazes com os aliados, rearmar-se, para desencadear uma nova guerra daqui a vinte anos. Talvez a Providência tenha hesitado, de propósito, em afastar Hitler desde já, pois aos aliados faz muito mais jeito, e é muito mais vantajoso, que os alemães arianos puros se matem uns aos outros; assim haverá depois menos canseira para os russos e para os ingleses que poderão mais depressa começar a reconstruir as suas cidades. Mas ainda não chegamos a este ponto e eu não quero antecipar-me aos factos gloriosos. Tu decerto estás a notar que tudo o que te estou a dizer é a realidade nua e crua, uma realidade com os dois pés fincados no chão, e que eu, excepcionalmente, não estou a delirar com ideias superiores. Hitler teve a amabilidade de comunicar ao seu povo dedicado que os militares, de hoje em diante, terão de obedecer à Gestapo e que qualquer soldado, se souber que um seu superior esteve implicado neste atentado tão cobarde e tão baixo, poderá meter-lhe, sem cerimônias, uma bala na cabeça. Vai ser bonito. Imagina: ao Hans Dampf doem-lhe os pés de tanto marchar; o seu superior, o chefe, dá-lhe um raspanete. O Hans pega na espingarda e grita: - Tu quiseste matar o nosso Führer, toma a recompensa. Pum! O orgulhoso chefe que se atreveu a censurar o pequeno soldado foi despachado para a vida eterna (ou será para a morte eterna?). O resultado vai ser este: os senhores oficiais vão andar sempre com as cuecas sujas de tanto medo e não se atreverão mais a dizer seja o que for a um simples soldado. Compreendes tudo? Ou gaguejei eu ao escrever? Se assim for não há nada a fazer, pois estou contente de mais para observar a lógica, contente por ter esperanças de que em Outubro estarei, de novo, sentada nos bancos da escola. Olá, não disse eu há pouco que não me devo antecipar? Não te zangues. Não é por acaso que me chamam "um feixe de contradições".
Tua Anne

Pág. 205 do livro “O diário de Anne Frank”

Bruna Freire de Carvalho

Um comentário:

  1. Muito interessante,vc destacar esse livro, pois afinal o filme foi uma copia fiel dele.
    Patricia G.

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